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Progressividade da Revelação Divina - 2º (retirado do livro
"As Leis Morais")
Rodolfo Caligaris
"... Surgiu o Cristo, proclamando:
"Sede perfeitos, porque perfeito é o vosso Pai celestial."
Não fora nada fácil fazer que os homens, contrastando
seu orgulho odiento, limitassem seu direito de vingança e,
vencendo seu forte egoísmo, se dispusessem a levar seus melhores
bens ao templo, para oferecê-los em sacrifício.
Neste novo passo, entretanto, a dificuldade é bem maior: O
Criato pede-lhes que renunciem a qualquer espécie de desforra;
que, às ofensas recebidas, retribuam com o perdão e
a prece pelos ofensores; e que se sacrifiquem a si mesmos em benefício
dos outros, até mesmo dos inimigos!
Para conduzi-los à realização de tal magnanimidade,
dá-lhes então uma doutrina excelsa, em que Deus já
não é aquele ser faccioso, que faz dos israelitas "a
porção escolhida" dentre todos os povos (Ex, 19:5),
mas sim o Pai "nosso," isto é, de todas as nações
e de todas as raças, porque para Ele "não há
acepção de pessoas" (Atos, 10:34; Rom., 2:11).
Ante essa estupenda revelação, desmoronam, diluem-se
todas as diferenças do antigo concerto. Já não
há judeus e gentios sacerdotes e plebeu senhores e escravos.
Todos são iguais, porque filhos do mesmo Pai justo e bondoso,
que nos criou por Amor e quer que todos sejamos partícipes
de Sua glória.
São freqüentes, no Evangelho, as referênciaas do
Cristo a essa irmandade universal tão em contraposição
ao sectarismo estreito da legislação moisaica. Sirva-nos
de exemplo apenas a seguinte:
Certa ocasião, quando pregava, foi interrompido por alguém
que lhe disse: "Eis que estão, ali fora, tua mãe
e teus irmãos, os quais desejam falar-te". Ao que ele
respondeu:
"Quem é minha mãe? E quem são meus irmãos?"
E, estendendo a mão para os seus discípulos, disse:
"Eis aqui minha mãe e meus irmãos; porque todo
aquele que fizer a vontade de meu Pai que está nos Céus,
este é meu irmão, minha irmã e mãe."
(Mat, 12: 46-50)
Contrariamente ainda à expectativa dos judeus, que sonhavam
com as delícias de um reino terrestre, de que teriam a hegemonia
pois a isso se cingiam suas esperanças, o Cristo anuncia-lhes
algo diferente - "o reino dos céus", ou seja, uma
vida de felicidade mais intensa e mais duradoura, nos planos espirituais,
de cuja existência nem sequer suspeitavam!
Esse reino, porém, não pode ser tomado de assalto, à
força. Para merecê-lo, cada qual terá que, em
contrapartida, edificar-se moralmente, o que vale dizer, pôr-se
em condições de ser um de seus súditos.
Então nos instrui, solícito, no maravilhoso Sermão
da Montanha:
Bem-aventurados os pobres de espírito -os humildes, os que
têm a candura e a adorável simplicidade das crianças
-, porque deles é o reino dos céus
Bem-aventurados os brandos e pacíficos - os que tratam a todos
com afabilidade, doçura e piedade, sem jamais usar de violência
-, pois serão chamados filhos de Deus...
Bem-aventurados os limpos de coração -os que, havendo
vencido seus impulsos inferiores, não se permitem qualquer
ato, nem mesmo uma palavra, ou o menor pensamento impuro, que possa
ofender o próximo em sua honorabilidade -, pois eles verão
a Deus.
Bem-aventurados os misericordiosos -os que perdoam e desculpam as
ofensas recebidas e, sem guardar quaisquer ressentimentos, se mostram
sempre dispostos a ajudar e a servir aqueles mesmos que os magoaram
ou feriram -, pois, a seu turno, obterão misericórdia.
"Não, resistais ao que vos fizer mal; antes, se alguém
te ferir na face direita, oferece-lhe também a outra. Ao que
quer demandar contigo em juízo para tirar-te a túnica,
larga-lhe também a capa. E se qualquer te obrigar a ir carregado
mil passos, vai com ele ainda mais outros dois mil. Dá a quem
te pede, e não voltes as costas ao que deseja que lhe emprestes."
Amai os vossos inimigos, fazei bem aos que vos têm ódio,
e orai pelos que vos perseguem e caluniam, para serdes filhos de vosso
Pai, que está nos céus, o qual faz nascer o seu sol
sobre bons e maus, e vir chuva sobre justos e injustos porque, se
não amais senão os que vos amam, que recompensa haveis
de ter? Não fazem os Publicanos também o mesmo? E se
saudardes somente os vossos irmãos que fazeis nisto de especial?
Não fazem também assim os gentios?" (Mat., capítulo
5)
Ressaltando a superioridade do anunciado reino celestial sobre as
posses e os gozos materiais, acrescenta ainda:
"Não queirais acumular tesouros na terra, onde a ferrugem
e a traça os consomem, e onde os ladrões os desenterram
e roubam; mas formai para vós tesouros no céu, onde
não os consome a ferrugem nem a traça, e onde os ladrões
não os desenterram nem roubam." (Mat., 6: 19-20)
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Conquanto estas normas de ética datem de há quase
dois milênios, "poucos são os que as compreendem
e ainda menos os que as praticam", dizem-nos os Espíritos
do Senhor. (Capítulo 1, questão 627)
E foi certamente prevendo isso que... (continua no próximo
mês)
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